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Eleições presidenciais 2016: quem perde com os debates?

Sexta-feira, 08.01.16

Como já disse aqui, estou a acompanhar os debates presidenciais com atenção e interesse. E como também disse, um candidato pode representar mas não todo o tempo. Há momentos fugazes em que se revela. E aí vamos compondo o puzzle.

 

Já ouvi vários comentadores referir que Marcelo Rebelo de Sousa não assume nestes debates uma posição firme, que se mostra sempre simpático e sorridente, a cumprimentar os adversários. E mais, que o debate a sério só começou ontem, com Sampaio da Nóvoa. Discordo. Se aquelas agressões de Sampaio da Nóvoa e de Clara de Sousa foram o desafio para um debate, então não sei o que é um debate, pois mais parecia um interrogatório. Mais parecia um interrogatório em que quem pergunta já sabe a resposta. Clara de Sousa para Marcelo: Vai ser um presidente herbívoro ou carnívoro? Como Marcelo não responde, porque esta pergunta não tem resposta, insiste: Vai haver sangue? Incrível, mas foi o que percebi. Mais à frente: O que responde a esta acusação ( de Sampaio da Nóvoa) de que gosta de se ouvir a si próprio? E tudo neste estilo inquisitório.

Sampaio da Nóvoa às tantas acusa Marcelo de ser anti-democrático por não concordar com as despesas de algumas campanhas presidenciais. Está tudo dito. Insiste também na tecla que todos sabiam que já tinha decidido há muito que se iria candidatar, ao que Marcelo questiona Todos quem?, Todos nós. Perante esta insistência Marcelo pergunta Mas sabe como? Estava dentro da minha cabeça?

Aos comentadores que acham que esta amostra é um exemplo de debate, eu digo que isto é apenas uma agressão verbal para ver se conseguem colocar Marcelo à defesa. Mas a questão essencial é: à defesa de quê? De acusações como ser um solitário por não ter apoios políticos na campanha?, de falar para si próprio?, de ter sido comentador político? Pelo meio, ainda tivémos o tema do aborto, das barrigas de aluguer, e outros temas do género. 

 

É aqui que introduzo a pergunta do título do post: quem perde com os debates?

Debate, segundo o "Novo Dicionário Compacto da Língua Portuguesa, António de Morais Silva, Editorial Confluência, 6ª ed., 1990, vol. II": s.m. Discussão; disputa; altercação; contenda. // Combate; peleja. // Pl. Duelo de alegações pró e contra da defesa e da acusação em tribunais judiciais. // Discussões no parlamento entre membros de diversas facções.

Neste debate Marcelo - Sampaio da Nóvoa, o debate foi levado à letra, de facto mais parecia um tribunal: O senhor é herbívoro ou carnívoro? Vai haver sangue?... Então e o que pensa da barriga de aluguer?, assim de chofre, e o aborto?

Entendido o debate como "discussão, disputa, altercação, contenda, combate, peleja", ou "duelo de alegações pró e contra da defesa e da acusação", ou "discussões entre membros de diversas facções", perde quem prefere a troca de ideias.

Entendido o debate como troca de ideias e esclarecimento dos eleitores sobre essas ideias, sobre o percurso do candidato, sobre a sua interpretação do papel de Presidente e da Constituição, perde quem prefere o duelo.

 

 

 

 

Sampaio da Nóvoa não respondeu à pergunta de Marcelo: De que lado estava no 25 de Novembro? Mas esta pergunta é que é verdadeiramente essencial. Porque tem a ver com a Constituição, a base fundamental do papel do Presidente. O mesmo seria perguntar: Qual é a Constituição em que acredita?, a de 76 ou a actual, de 82?

 

Persiste na cultura portuguesa um gostinho pela perseguição, o assédio moral, o bullying. Veja-se nas praxes. É a linguagem do poder. A justiça do pelourinho.

É por isso que me dediquei no Vozes_Dissonantes a procurar os vestígios de um Portugal antigo, da amabilidade, da colaboração, da comunidade. Um Portugal universal, tolerante, de equilíbrios.

 

Dos debates presidenciais até hoje, apenas dois candidatos revelaram poder vir a exercer o papel de Presidente nessa cultura da amabilidade, colaboração, tolerância e de equilíbrios: Marcelo Rebelo de Sousa e Maria de Belém. A haver segunda volta, que seja com estes dois. 

 

 

  

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:05








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